Em 2008 comemora-se os 100 anos da morte do grande escritor brasileiro Machado de Assis.
A seguir, trago alguns trechos de obras desse Mestre com as quais me identifico ou me emociono.
Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Capítulo CLX
Das Negativas
[...]
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; [...] Somadas umas cousas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e consequentemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Relação Delicada
Alternando momentos de erudição e entretenimento, jornalista lança livro em que recupera a curiosa história do pênis como centro de cultura e de poder
http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20021009/vid_mat_091002_119.htm
http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20021009/vid_mat_091002_119.htm
ESTÁTUA DE DAVI MICHELANGELO
Michelangelo dizia que sua criação lutava para se libertar da pedra, chegando a dizer que ele só tirava as sobras, pois a estátua já estava lá.
Davi tinha uma importância muito grande para Michelangelo.
Davi, símbolo de sua luta contra o Destino, como Davi ante Golias
Na arte grega antiga, é comum se ver as genitálias masculinas menores do que se esperaria para o tamanho do homem retratado na obra. A arte no renascimento também seguiu esta estética; um exemplo é o David do escultor Michelangelo. Isso se devia à crença de que um pênis pequeno e não-circuncisado era mais desejado nos homens, ao passo que um pênis grande ou circuncisado era visto como cômico. Isso pode ter a ver com a adoração dos gregos a um corpo não desenvolvido ou ao tamanho dos pênis dos modelos reais, que posavam em estúdios frios. Entretanto, alguns acreditam que os artistas intencionalmente faziam os pênis de tamanho menor que o usual, para prevenir que se destacassem, afetando o conjunto da obra. Outros dizem que talvez a média do tamanho do pênis naquela época era significamente menor, e ela se tornou maior ao longo do tempo, da mesma forma que a média da altura das pessoas aumentou. Também alguns grupos afirmam que um pênis grande era considerado como uma "bestialidade" ou "animalidade".
Os gregos prezavam o pênis pequeno como o de um garoto, ideal que ficou registrado em suas esculturas (e nas dos renascentistas, que nelas se inspiraram). Já entre os romanos, pênis diminutos eram motivo de chacota: para atacar um desafeto, o poeta Catulo alardeou que ele era dono de uma "minúscula adaga". A partir do século XIX, colonizadores europeus passaram a estudar e até mesmo coletar pênis de negros africanos, cujo tamanho, diziam, punha em dúvida sua humanidade. A questão do tamanho ainda causa ansiedade e controvérsia: qual é a boa medida?
http://veja.abril.com.br/110902/p_106.html
DAVID (1000-960 a.C.), Rei Israelita
David, de Michelangelo (1501/1504)
Por séculos, artistas ocidentais tem resgatado a escultura David como a beleza perfeita do homem. Uma inspeção mais apurada revela que a estátua tem estrabismo no olho. Essa imperfeição só foi descoberta recentemente, talvez porque a maioria dos admiridores se destraíam com sua genitália...
Michelangelo foi convidado pela Senhora de Florença a dar sua opinião a respeito de um bloco de mármore que havia sido adquirido para realizar uma estátua colossal, projeto que, sem resultado, trabalharam outros escultores. Na ocasião, ele própio se ofereceu para esculpir uma figura humana, e sua proposta foi aceita.
David foi, provavelmente, concebido como personificação do governo republicano que havia encomendado a execução da obra. Não tem a espada empunhada como seus predecessores, obras de Donatello e Verrocchio. Michelangelo pensou em realizar uma imagem que passasse tanto poder espiritual como energia física, que não teve necessidade de recorrer ao símbolo das armas para representar seu heroísmo.
Michelangelo dizia que sua criação lutava para se libertar da pedra, chegando a dizer que ele só tirava as sobras, pois a estátua já estava lá.
Davi tinha uma importância muito grande para Michelangelo.
Davi, símbolo de sua luta contra o Destino, como Davi ante Golias
Na arte grega antiga, é comum se ver as genitálias masculinas menores do que se esperaria para o tamanho do homem retratado na obra. A arte no renascimento também seguiu esta estética; um exemplo é o David do escultor Michelangelo. Isso se devia à crença de que um pênis pequeno e não-circuncisado era mais desejado nos homens, ao passo que um pênis grande ou circuncisado era visto como cômico. Isso pode ter a ver com a adoração dos gregos a um corpo não desenvolvido ou ao tamanho dos pênis dos modelos reais, que posavam em estúdios frios. Entretanto, alguns acreditam que os artistas intencionalmente faziam os pênis de tamanho menor que o usual, para prevenir que se destacassem, afetando o conjunto da obra. Outros dizem que talvez a média do tamanho do pênis naquela época era significamente menor, e ela se tornou maior ao longo do tempo, da mesma forma que a média da altura das pessoas aumentou. Também alguns grupos afirmam que um pênis grande era considerado como uma "bestialidade" ou "animalidade".
Os gregos prezavam o pênis pequeno como o de um garoto, ideal que ficou registrado em suas esculturas (e nas dos renascentistas, que nelas se inspiraram). Já entre os romanos, pênis diminutos eram motivo de chacota: para atacar um desafeto, o poeta Catulo alardeou que ele era dono de uma "minúscula adaga". A partir do século XIX, colonizadores europeus passaram a estudar e até mesmo coletar pênis de negros africanos, cujo tamanho, diziam, punha em dúvida sua humanidade. A questão do tamanho ainda causa ansiedade e controvérsia: qual é a boa medida?
http://veja.abril.com.br/110902/p_106.html
DAVID (1000-960 a.C.), Rei Israelita
David, de Michelangelo (1501/1504)
Por séculos, artistas ocidentais tem resgatado a escultura David como a beleza perfeita do homem. Uma inspeção mais apurada revela que a estátua tem estrabismo no olho. Essa imperfeição só foi descoberta recentemente, talvez porque a maioria dos admiridores se destraíam com sua genitália...
Michelangelo foi convidado pela Senhora de Florença a dar sua opinião a respeito de um bloco de mármore que havia sido adquirido para realizar uma estátua colossal, projeto que, sem resultado, trabalharam outros escultores. Na ocasião, ele própio se ofereceu para esculpir uma figura humana, e sua proposta foi aceita.
David foi, provavelmente, concebido como personificação do governo republicano que havia encomendado a execução da obra. Não tem a espada empunhada como seus predecessores, obras de Donatello e Verrocchio. Michelangelo pensou em realizar uma imagem que passasse tanto poder espiritual como energia física, que não teve necessidade de recorrer ao símbolo das armas para representar seu heroísmo.
Opinião Feminina Tamanho do Pênis
Dizem que a preocupação com o tamanho do pênis é exclusiva da cabeça masculina.
Será?
O texto que vem a seguir foi tirado da revista Superinteressante, da Editora Abril. (ano de 2002)
Tamanho é Documento, Sim!
Você já deve ter se cansado de ouvir a declaração de que "tamanho não é documento". É uma daquelas frases auto-iludidas, como "é dos carecas que elas gostam mais". Desculpe, mas a maioria de nós não gosta de carecas. (Falta de cabelo pode indicar baixo nível de testosterona, que é um hormônio que não pode faltar num homem.) Da mesma forma, é preciso encarar que tamanho é documento, sim, senhor. É claro que estamos falando do nosso amigo pênis. Sem essa de dizer que o que conta para as mulheres são as preliminares. Ou que o prazer feminino depende do envolvimento com o dono do pênis em questão. Claro que tudo isso é importante. Mas a gente, tanto quanto os homens, também gosta de carne. Carne bonita. Muita carne. Se homem gosta de bumbum grandes e seios fartos, por que a gente não pode gostar de volumes generosos também? Descupem os maldotados, mas o nosso prazer depende, sim, do tamanho do pênis. Estou falando do prazer no intercurso. Mas também do prazer visual, tátil. Se o rapaz tiver o melhor beijo do mundo e um pênis minúsculo, boa parte do esforço - o dele e o nosso - vai por água abaixo. Não há como negar. (Confesso que não consultei especialistas para chegar a esta conclusão: consultei garotas. Mas você quer alguém melhor para perguntar?) O mito de que tamanho não é documento vem provavelmente de uma velha idéia machista de que mulher não gosta de ter prazer pelo prazer. Ou seja: o prazer físico seria privilégio dos homens, que são encorajados a fazer isso desde o momento em que deixam de engatinhar. Às mulheres caberia um interesse meramente emocional, quase platônico, em relação ao sexo. Saiba que não é assim. Mulher tem tesão, gosta de corpo, de curvas e precisa de prazer tanto quanto um latagão qualquer. Chega dessa história de que, para o rapaz, quantos mais mulheres arrecadar, melhor. Enquanto para a menina, vale o contrário: quanto menos viver, quanto menos curtir, melhor. Toda a diversão para eles e só culpa e vergonha para a gente? Chega. Dizer que o tamanho do pênis não importa é deixar de reconhecer que também existem mulheres que procuram sexo sem envolvimento. Algo que não tem nada a ver com amor, casamento ou relacionamento emocional. A gente também gosta dessas coisas, claro. Assim como é evidente que ninguém se apaixona por um pênis sozinho, existem milhares de outros fatores que podem eventualmente tornar o tamanho do pênis um quesito secundário. Mas nada disso garante a alguém imaginar que, para as mulheres, o tamanho do pênis é apenas um pequeno detalhe. Não é. Em uma recente matéria da Super, aprendi sobre o "investimento parental", um termo criado por um pesquisador americano que parte do princípio de que "óvulos são caros, esperma é barato". Isso faria com que os machos tendessem à poligamia e as mulheres, à monogamia. Tudo o que posso dizer a esse respeito é que dou graçcas a Deus por ser uma fêmea da espécie humana, com livre-arbítrio para escapar ilesa - e solteira! - dessa chatíssima imposição natural. Podemos tranqüilamente fazer sexo sem a intenção de gerar prole, tanto quanto um macho da espécie. Sexo é algo que as pessoas deveriam praticar por um só motivo: é bom. Isso sempre foi claro e permitido para os homens. Só há bem pouco tempo começou a ser permitido para as mulheres pensar assim também. Mas ainda há resquícios da Idade das Trevas - ainda hoje, pr exemplo, temos uma lei estúpida no Brasil declarando que se o marido descobrir que sua esposa não é mais virgem alguns dias depois do casamento, pode anulá-lo. Felizmente, a sociedade está mudando e preocupações como "será que ele vai achar que sou uma desqualificada porque aceitei o convite de ir para o motel logo no primeiro encontro?" estão dando (sem trocadilho!), na cabeça das mulheres, lugar a pensamentos bem mais saudáveis e menos neuróticos: tomar de cara a iniciativa e convidá-lo, se assim o coração mandar. Afinal, nada é tão saudável quanto sexo sem neurose ou culpa. Curiosamente, alguns homens ainda têm resistência a esse tipo de comportamento feminino. O que é incompreensível. Quer dizer que só porque a garota foi para a cama com você no primeiro dia, isso significa que ela não é digna de um relacionamento duradouro? Se sexo é tão bom para você, por que não pode ser bom para ela também? É triste viver numa sociedade que pune, ainda que veladamente, as mulheres que transam numa boa e que falam a verdade sobre o assunto como, por exemplo, que o tamanho é importante, sim, senhor.
Por Clara Averbuck Jornalista e Escritora, autora de Máquina de Pinball (Editora Conrad); Revista TPM/Trip; Revista Superinteressante
Será?
O texto que vem a seguir foi tirado da revista Superinteressante, da Editora Abril. (ano de 2002)
Tamanho é Documento, Sim!
Você já deve ter se cansado de ouvir a declaração de que "tamanho não é documento". É uma daquelas frases auto-iludidas, como "é dos carecas que elas gostam mais". Desculpe, mas a maioria de nós não gosta de carecas. (Falta de cabelo pode indicar baixo nível de testosterona, que é um hormônio que não pode faltar num homem.) Da mesma forma, é preciso encarar que tamanho é documento, sim, senhor. É claro que estamos falando do nosso amigo pênis. Sem essa de dizer que o que conta para as mulheres são as preliminares. Ou que o prazer feminino depende do envolvimento com o dono do pênis em questão. Claro que tudo isso é importante. Mas a gente, tanto quanto os homens, também gosta de carne. Carne bonita. Muita carne. Se homem gosta de bumbum grandes e seios fartos, por que a gente não pode gostar de volumes generosos também? Descupem os maldotados, mas o nosso prazer depende, sim, do tamanho do pênis. Estou falando do prazer no intercurso. Mas também do prazer visual, tátil. Se o rapaz tiver o melhor beijo do mundo e um pênis minúsculo, boa parte do esforço - o dele e o nosso - vai por água abaixo. Não há como negar. (Confesso que não consultei especialistas para chegar a esta conclusão: consultei garotas. Mas você quer alguém melhor para perguntar?) O mito de que tamanho não é documento vem provavelmente de uma velha idéia machista de que mulher não gosta de ter prazer pelo prazer. Ou seja: o prazer físico seria privilégio dos homens, que são encorajados a fazer isso desde o momento em que deixam de engatinhar. Às mulheres caberia um interesse meramente emocional, quase platônico, em relação ao sexo. Saiba que não é assim. Mulher tem tesão, gosta de corpo, de curvas e precisa de prazer tanto quanto um latagão qualquer. Chega dessa história de que, para o rapaz, quantos mais mulheres arrecadar, melhor. Enquanto para a menina, vale o contrário: quanto menos viver, quanto menos curtir, melhor. Toda a diversão para eles e só culpa e vergonha para a gente? Chega. Dizer que o tamanho do pênis não importa é deixar de reconhecer que também existem mulheres que procuram sexo sem envolvimento. Algo que não tem nada a ver com amor, casamento ou relacionamento emocional. A gente também gosta dessas coisas, claro. Assim como é evidente que ninguém se apaixona por um pênis sozinho, existem milhares de outros fatores que podem eventualmente tornar o tamanho do pênis um quesito secundário. Mas nada disso garante a alguém imaginar que, para as mulheres, o tamanho do pênis é apenas um pequeno detalhe. Não é. Em uma recente matéria da Super, aprendi sobre o "investimento parental", um termo criado por um pesquisador americano que parte do princípio de que "óvulos são caros, esperma é barato". Isso faria com que os machos tendessem à poligamia e as mulheres, à monogamia. Tudo o que posso dizer a esse respeito é que dou graçcas a Deus por ser uma fêmea da espécie humana, com livre-arbítrio para escapar ilesa - e solteira! - dessa chatíssima imposição natural. Podemos tranqüilamente fazer sexo sem a intenção de gerar prole, tanto quanto um macho da espécie. Sexo é algo que as pessoas deveriam praticar por um só motivo: é bom. Isso sempre foi claro e permitido para os homens. Só há bem pouco tempo começou a ser permitido para as mulheres pensar assim também. Mas ainda há resquícios da Idade das Trevas - ainda hoje, pr exemplo, temos uma lei estúpida no Brasil declarando que se o marido descobrir que sua esposa não é mais virgem alguns dias depois do casamento, pode anulá-lo. Felizmente, a sociedade está mudando e preocupações como "será que ele vai achar que sou uma desqualificada porque aceitei o convite de ir para o motel logo no primeiro encontro?" estão dando (sem trocadilho!), na cabeça das mulheres, lugar a pensamentos bem mais saudáveis e menos neuróticos: tomar de cara a iniciativa e convidá-lo, se assim o coração mandar. Afinal, nada é tão saudável quanto sexo sem neurose ou culpa. Curiosamente, alguns homens ainda têm resistência a esse tipo de comportamento feminino. O que é incompreensível. Quer dizer que só porque a garota foi para a cama com você no primeiro dia, isso significa que ela não é digna de um relacionamento duradouro? Se sexo é tão bom para você, por que não pode ser bom para ela também? É triste viver numa sociedade que pune, ainda que veladamente, as mulheres que transam numa boa e que falam a verdade sobre o assunto como, por exemplo, que o tamanho é importante, sim, senhor.
Por Clara Averbuck Jornalista e Escritora, autora de Máquina de Pinball (Editora Conrad); Revista TPM/Trip; Revista Superinteressante
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