No mundo inteiro, tentativas fracassadas de suicídio são mais numerosas entre as mulheres. Mas é maior o número de homens suicídas. A explicação parece relacionada à preferência da mulher por métodos falíveis, como a overdose de pílulas, enquanto o homem usa métodos mais drásticos, como armas de fogo. Talvez ela escolha métodos inificientes porque é mais fácil para ela, do que para ele, obter depois de uma tentativa de suicídio pouco convincente. É difícil prever o suicídio de alguém ( vários fatores podem contribuir: perda de status, alcoolismo, doença terminal, deficiências físicas, frustrações amorosas, etc). Só depois que ocorre o suicídio é que aparecem as interpretações.
O economista Gery Becker oferece a sua teoria para explicar o suicídio: Os autores citam Hume, segundo o qual nenhum homem jogou a vida fora enquanto ela ainda valia a pena. Eles citam também Schopenhaeur, segundo o qual um homem põe fim à própria vida quando seus terrores são maiores do que os da própria morte. E partem para explicar a decisão entre o “ser” e o “não ser” com base num modelo em que o indivíduo maximiza a felicidade. A teoria leva em conta a propensão ao risco, a incerteza sobre eventos futuros e o valor da opção de espera antes da decisão fatal.
O suicida de Becker é um agente racional. Considera o futuro e toma uma decisão que maximiza sua felicidade. O indivíduo se mata quando quando presume que a infelicidade de hoje persistirá no futuro.
Cleopátra é um bom exemplo. Sua história é cercada por mortes violentas. Seu irmão Ptolomeu mandou matar Pompeo depois que este perdeu uma batalha para Júlio Cesar. Depois ela teve que suportar o assassinato de Júlio César, com o qual teve um filho. Depois ela foi viver com Marco Antonio que lhe deu 4 filhos e se suicidou após ser superado politicamente por Otávio. Cleopátra se valeu da picada de uma víbora para se matar, pois não via mais perspectivas para a sua vida e sabia que seria humilhada por Otávio.
Assim como o suicídio de Cleopátra, o de Marco Antonio – diante da perda insuportável de seu poder para Otávio – se encaixa na teoria da maximização da felicidade que considera a perda de status e a desesperança de uma reviravolta no futuro. O suicídio de Getúlio Vargas também se encaixa nessa teoria.
Na literatura, Madame Bovary, de Flaubert, toma arsênico quando se vê endividada e sem o amparo dos ex-amantes. Ana Karenina, de Tolstoi, joga-se sob um trem, depois de perder sua posição na sociedade e de presumir que o seu amante começa a perder o seu interesse por ela.
O autor conclui que o suicida, ao cometer seu ato final, tem em mente uma balança na qual coloca dois pesos: de um lado as perspectivas de futuro, as promessas de futuro e de outro a emoção de se sentir vivo, pelo menos durantes aqueles segundos que antecedem seu ato derradeiro.
domingo, 23 de março de 2008
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2 comentários:
Bom, suponho, pela foto de Michelangelo e pela reprodução de alguns trechos em uma postagem sua, que você seja o Davi, de uma das comunidades que já participei.
Gostaria de lhe dizer que gostei muito do seu blog. E parece que você superou parte dos traumas que possuia. Fico muito feliz por isto.
Quero parabenizá-lo também por não ter feito do seu blog um samba de uma nota só. Achei-o muito interessante, atual e eclético. Parabéns!
Um grande abraço.
Espero que vc não tenha se deixado envolver pela ideia de suicídio.
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